A CIDADE DA COROAÇÃO
Catedral de Reims: A Cidade da Coroação para Além das Bolhas
A Catedral de Notre-Dame de Reims coroou reis franceses durante séculos e sobreviveu a danos catastróficos da Primeira Guerra Mundial — boa razão para incluir uma paragem na catedral num passeio de um dia pela região de Champagne.
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A Catedral de Notre-Dame de Reims é uma das grandes catedrais góticas de França, construída sobretudo no século XIII no local de igrejas mais antigas, e durante séculos serviu como igreja da coroação da monarquia francesa. A tradição remonta a Clóvis, o primeiro rei dos Francos, que foi batizado em Reims em 496 — um evento que os reis posteriores invocaram para justificar a sua coroação na mesma cidade. Desde a Idade Média em diante, a maioria dos reis franceses foi ungida e coroada em Reims, e não em Paris, uma prática que se manteve até Carlos X em 1825, tornando a catedral um dos edifícios religiosos mais importantes da história do país, e não apenas um dos mais belos.
Marcada pela guerra, reconstruída à mão
A catedral foi gravemente danificada durante a Primeira Guerra Mundial: o bombardeio alemão em 1914 incendiou o telhado de madeira, e o edifício foi atingido repetidamente nos anos seguintes, ficando sem teto e severamente danificado até o fim do conflito. A restauração levou décadas e contou com apoio internacional, incluindo financiamento significativo da família Rockefeller, e a catedral só foi reaberta de forma substancial na década de 1930, com trabalhos de detalhe que continuaram muito depois. Parte dos vitrais é ainda mais recente — incluindo janelas do século XX de Marc Chagall numa das capelas —, por isso o que vê hoje é uma autêntica mistura de pedra medieval e artesanato moderno, reconstruída em torno de uma estrutura quase destruída em tempos ainda vivos na memória.
Para além da catedral: o Palais du Tau e Saint-Remi
Ao lado da catedral, o Palais du Tau foi o palácio do arcebispo e o local tradicional de alojamento e vestimenta dos reis no dia da sua coroação — hoje é um museu que guarda estatuária original da catedral, insígnias reais e peças do tesouro, e está incluído na mesma classificação da UNESCO que a própria catedral. A poucos passos, a Basílica de Saint-Remi, uma das igrejas mais antigas de França, alberga o túmulo de São Remígio, o bispo que batizou Clóvis. Juntos, os três locais — catedral, palácio e basílica — formam um conjunto compacto e muitas vezes ignorado de história numa cidade que a maioria dos visitantes associa apenas ao champanhe.
Uma cidade de vinho, e também uma cidade real.
Reims assume com naturalidade as suas duas identidades: a grande história religiosa à superfície e as grandiosas caves de champanhe por baixo. Várias das casas mais famosas — entre elas Veuve Clicquot, Pommery, Taittinger, Ruinart e Mumm — têm sede a poucos minutos de carro ou mesmo a pé da catedral, pelo que a cidade funciona muito bem como uma paragem única que junta a história das coroações às visitas às caves, em vez de as tratar como dois passeios separados. O centro histórico à volta da catedral tem também um núcleo compacto de cafés e lojas que merece meia hora a pé, antes ou depois do vinho, se o dia o permitir.
Integrar Reims num dia dedicado a Champagne.
A maioria dos passeios de um dia a partir de Paris trata Reims como uma paragem secundária em relação às visitas às caves, em vez de um dia completo por direito próprio, o que normalmente significa uma ou duas horas na catedral e talvez um breve passeio pelo centro. Se a história de Reims o interessar genuinamente, vale a pena mencioná-lo a quem reservar o passeio, pois alguns tours dedicam mais tempo à cidade do que outros — alguns inclinam-se quase inteiramente para Épernay e os vinhedos. De qualquer forma, ver a catedral, mesmo que brevemente, acrescenta uma camada ao dia que nada tem a ver com vinho, o que para alguns viajantes acaba por ser a parte de que mais se recordam.